19 março, 2010

Mudanças... quero muito!


Não apareço por aqui, porque entrei num bode indescritível.
Não sei se faço resumo, ou conto tudo. Talvez esse post passe a ser desinteressante e massante. Bem, o fato é que muitas coisas foram acontecendo em minha vida (estou falando de coisas de anos mesmo!). Muitas delas eu empurrei com a barriga, outras tantas fiz questão de não enxergar e outras doiam só um pouquinho, então eu mesmo me enfaixava, lambia minhas próprias feridas e ia levando sabe? Afinal, quem não sofre na vida? Cai e levanta? Não experimenta? Não avalia e é avaliado? Testado? Então, a vida é mesmo assim, um grande teste, uma forma de lapidação. Sinto que caminhei um bocado, mas esses passos, esse andar não me levaram, definitivamente, para lugar algum (ou para lugares que eu imaginava que existiam).
Tenho 37 anos, sou mãe de 3 filhos, casada pela segunda vez há 15 anos. Comecei muito cedo minha vida...(estou falando sexualmente mesmo). Tive noivo aos 15 anos, engravidei aos 18, casei, separei, casei de novo, fui atrás dos meus objetivos e vim caminhando.
Fiz faculdade [já com os 3 filhos] me formei Fisioterapeuta, me especializei em acupuntura e medicina tradicional chinesa, fiz um pancada de cursos na área alternativa como: terapeuta floral, homeopatia, reiki I, II e III, Merkabah, Magnified Healing, quiropraxia... Já acreditei em duendes, cristais, mandalas, fogo violeta, filtro dos sonhos, incensos... isso sem falar da parte espiritual onde, sendo espírita, fiz curso de médium, fui evangelizadora infantil, migrei para Umbanda, fiz teologia e desenvolvimento mediúnico, trabalhei como médium por 3 anos consecutivos às segundas-feiras lá onde Judas perdeu as botas, as meias e com certeza as cuecas! Enfim, sempre busquei me informar, aprender mais, mais e mais. Minha estante está torta de tantos livros que possuo, livros esses que pouco abro, sendo a maior parte na área da saúde e espiritual. Possuo também uma infinidade de diplomas e um vazio interno aterrorizante. Ah, isso porque esqueci de mencionar que antes de me formar fisio, fui auxiliar de enfermagem e antes de me especializar em acupuntura, entrei na Unicid para fazer pós em Ortopedia e Medicina do esporte... e odiei!
Tive crise de pânico, fui prosaquiana, me tratei por 5 longos anos, melhorei, abri um consultório, aprendi a ouvir pessoas e seus problemas, tomei gosto pela coisa. Fechei meu consultório e cedi o espaço para meu marido que, na época - 2006, estava trabalhando por conta, do lado da máquina de lavar, do cachorro e da Binha [nossa ex-empregada]. Preciso falar mais alguma coisa além do nome dela? Acho que não.
A vida dele estava um inferno e por consequência a minha. Minha casa estava adoecendo. Então essa solução fora tomada por mim e não me arrependi. Hoje ele está muito bem obrigado no espaço que era meu e minha casa voltou a normalidade.
Continuei meus estudos, meus filhos foram crescendo, meu marido sempre muitíssimo atencioso, exemplo de pai e marido nunca deixou nada a desejar. Sempre do meu lado, me apoiando, me incentivando, acordando cedo comigo e me levando pra mil cursos (aos finais de semana ainda!), tudo sem reclamar, sem fazer uma careta sequer. Só que tem um negócio nessa história toda que eu me dei conta praticamente há alguns dias...
Nessa ânsia de CUIDAR muito de mim, de fazer tudo pra mim (até mercado ele tomou a frente, mesmo porque odeio mercado e suas gôndolas), tudo foi ficando na mão dele (referente a casa e aos filhos) e tudo que era meu de fato para ser resolvido, ele também foi tomando a frente pra me preservar. Ele me preservou tanto nesses 15 anos, que hoje eu me descobri um cristalzinho dentro de uma redoma, que sente medo de dirigir, de sair, de fazer as coisas sozinha, de sair desse meu mundinho chamado "MEU QUARTO". Vale lembrar que ele nunca foi do tipo de sujeito que esconde a mulher em casa, não a deixa sair, ter amigos por ciúme. Muito pelo contrário. Ele nunca deu show na frente de ninguém por ciúme ou longe deles. Nosso relacionamento sempre foi dez. Confiança, companherismo, fidelidade... Tudo isso é real na minha vida. Mas, tudo isso que fora ocorrendo aos pouquinhos em minha vida durante todos esses anos, me tranformou num ser completamente dependende e frágil.
Nossa! chegar à essa conclusão me custou muitas lágrimas. Isso tudo junto e misturado com: meu filho de 18 anos ir embora morar com a avó e nunca mais me ligar (já há 3 meses). Minha mãe também rachar comigo porque não aceito que ela passe a mão na cabecinha dele e ela não aceita que eu diga nada. Uma insatisfação enorme com meu lado profissional; 13 quilos mais gorda desde novembro passado e nem um santo remédio pra ajudar. Uma lesão meniscal no joelho esquerdo me impedindo de fazer academia; uma depressão filha da puta! Chorei, chorei e chorei...Chorei pela ausência do meu filho e por seu desamor; chorei por não ser realizada profissionalmente depois de tanto tempo e tanto estudo; chorei por não conseguir emagrecer; chorei por não querer mais ir ao meu consultório (o 2º) aberto desde de junho passado; chorei por me perceber dependende, medrosa, infeliz comigo como pessoa, mãe, profissional, esposa.
Pensei... Porra! Você tem tanto conhecimento, sabe de tantas coisas legais na área alternativa pra te ajudar (florais, homeopatia, acupuntura, fitoterapia) e não consegue usar em seu próprio benefício? Sim! Não consegui mover uma palha em meu benefício e me vi caindo, caindo, caindo...Também não queria procurar ninguém conhecido, porque essas pessoas estão tão distante de mim e procurá-las depois de tantos anos, dava um ar de derrota. Orgulho? Que seja! Sei lá se é isso, mas eu não queria mesmo.
Este mês de março pra mim foi a gota d'água. Me afundei tanto que adoeci de verdade, passei 1 mês as voltas com remédios de todos os tipos. Sinusite, gastrite, rinite... e mais um monte de "ites" que vieram de uma só vez me nocaltear. Foi onde eu comecei a enxergar que precisava e preciso de ajuda. Não adianta ficar só me lamentando, ver a vida passar, os filhos crescerem, a pele ficar flácida, a bunda mole, os seios caidos...Tem que ter força e, acima de tudo, muita CORAGEM pra se enxergar doente!
Tomei algumas atitudes que já me fizeram melhorar uns 40% nessa história. Pra começar, fechei meu consultório ontem. Ele estava mais me trazendo despesa e dissabor do que qualquer outra coisa. Acupuntura nesse país ainda é algo de luxo. Quem tem assitência médica e este benefício, prefere fazer lá (embora jamais saberá a diferença de ficar somente 20 minutos com a agulha no local da dor ou fazer com um acupunturista que usa a MTC de verdade, faz anamnese, verifica pulso, língua, excessos, deficiências e muito mais antes de colocar uma agulha.) Terapia complementar, alternativa, chame como quiser é a rabeira do negócio todo. Nêgo só procura você quando escuta que o caso dele não tem solução, isso é que é a verdade. Ninguém quer pôr a mão no bolso pra ter qualidade de vida. Bem, fechei sem dó e nem piedade, pois também já havia ensaiado e meu querido marido, na sua ânsia de me preservar, adiou a decisão por mim dizendo que estava tendo umas "idéias" pra fazer o negócio funcionar e eu, tolinha, respondi assentindo porque também não queria magoá-lo (pois ele é quem pagava os quinhentinhos na sala dando o maior duro). Me calei, quando na verdade queria mandar tudo PRAPUTAQUEOPARIU! Fiz e não me arrependo, aliás comecei a respirar. Esse foi o primeiríssimo passo. Segundo, me matriculei hoje pra fazer hidroginástica e de quebra poderei fazer aula de dança, power ioga, pilates com bola, Ki max... adorei o lugar e começo na semana que vem. Já é um grande passo para meu emagrecimento. Terceiro, marquei psiquiatra para semana que vem e se tiver que começar de novo com os antidepressivos, que seja! Sinto dor até no fio do cabelo e não posso mais postergar. Acho que já me negligenciei demais. Sempre coloquei na minha cabeça que TERAPEUTA não adoece, não tem crises e esqueci que antes de terapeuta, sou HUMANA! Quarto, decidi voltar pra faculdade no meio do ano e começar do zero.Vocês não imaginam, mas quando entrei na faculdade em 2000, entrei em psicologia, surtei porque o primeiro ano é muito basicão, pedi reopção de curso, entrei pra turma de fisioterapia e me arrependi amargamente. Agora vou voltar lá atrás e consertar esse grande equívoco fazendo o que eu sempre quis na verdade - PSICOLOGIA. Desta vez, sem pedir reopção, é claro! Agora meu filho...esse não tenho solução agora e dói demais. Ele fez a escolha dele do jeito mais difícil sendo que não precisava ser assim. Essa históriadá um livro e um dia eu conto com mais calma... Felipe e suas rebeldias. Enfim, minha vida parece sem pé nem cabeça, mas eu estou disposta.
No mais, vou correr atrás!

2 comentários:

  1. será que é coisa da idade, tenho 35 e você poderia estar falando de mim. Se cuide e viva sem culpas, seu filho fez a escolha dele. E você só deve esperar o tempo dele.

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  2. Ufa! Olha dificil eu aqui de fora, sem nem te conhecer palpitar né? Mas eu não sei não palpitar... Guria, te contar uma coisa, toda vida da um livro, toda vida da uma novela, e toda vida da um romance. Isso é fato. Então com essa experiencia (da minha vida, que ta um caos tão grande quanto seu e com alguns agravantes) eu posso te dizer que o melhor já aconteceu, vc se deu conta que deveria fazer alguma coisa e esta fazendo. Não sei o lance com seu filho e ai c omplica muito palpitar, mas eu acho que tudo pode ser resolvido, pode ser que ainda não seja a hora, não se afaste totalmente, mas de um tempo pra vcs dois... Ai volte a chamar ele pra uma conversa...

    Beijo

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